#16 – Os demônios de Loudun

#16 – Os demônios de Loudun

O episódio de hoje foi elaborado de forma diferente, escolhemos um tema e a partir dele, abordamos os livros e as adaptações. Conversamos sobre a possessão em Loudun, na França, entre os anos de 1634 e 1637. “Os demônios de Loudun” (1952) de Aldous Huxley traz a narrativa ficcional e “La possession de Loudun” (1970) de Michel de Certeau traz a análise historiográfica do evento.

Diversas questão são possíveis dentro do tema da possessão, tratamos então do caráte rmoralizante do século XVII – sexualidade, o bom cristão, o diabo e a fé – os exorcismos e a histeria. Ainda sobre as narrativas tanto ficcional quanto a histórica, falamos sobre o discurso médico,  sobre os processos jurídicos de bruxaria, as condenadas e as possessas.

Falamos sobre so filmes “Mother Joanne of the Angels” (1961) de Adam Walacinski e “The Devils” (1971) de Ken Russell, e como as fontes históricas e os livros foram aí  adaptados.

* desculpem alguns problemas no áudio!

Livros citados:

  • Admiravel mundo novo (1932), de Aldous Huxley.
  • As portas da percepção (1954), de Aldous Huxley.
  • A escrita da história (1975), de Michel de Certeau.
  • Alias Grace (1996), de Margaret Atwood.

Música da nossa trilha sonora:

  • Triste, louca ou má – Soltasbruxas (2016) de Francisco el Hombre
  • Minno amor, Cantiga 29 – Lamento di Tristano (2013) de Capella de Ministrers
  • Rotundellus, Cantiga 105 – Lamento di Tristano (2013) de Capella de Ministrers
  • Lai, Cantiga 139-183 – Lamento di Tristano (2013) de Capella de Ministrers
  • Septime estampie real – Lamento di Tristano (2013) de Capella de Ministrers The Salterello – Lamento di Tristano (2013) de Capella de Ministrers
  • Raimbaut de Vaqeiras – Aras pot hom conoisser e proar – Trobadors (2001) de Capella de Ministrers

Deixe seus comentários aqui pra gente. Sempre que acabamos de gravar, lembramos de algo mais que poderia ser dito, logo o tema sempre fica em aberto.

Podcast:

00:01:18 Apresentação
00:03:17 Sobre os livros “Os demônios de Loudun” e “La possession de Loudun”  e os autores
00:04:08 Possessão coletiva; bruxaria; comportamentos desviantes;
00:43:35 Exorcismos e o espetáculo; discurso médico;
01:03:45 Adaptações
01:18:05 Indicações e Encerramento

Links:

Mother Joan of the Angels (1961) http://www.imdb.com/title/tt0055153/
The Devils (1971) http://www.imdb.com/title/tt0066993/
La possédée (1971) http://www.imdb.com/title/tt1192104/
Arrival (2016) http://www.imdb.com/title/tt2543164/
The Confessions tape (2017) http://www.imdb.com/title/tt7349602/
L’ombre d’une doute – Les possédées de Loudun : une manipulation de Richelieu ? (2016) https://www.youtube.com/watch?v=qpzKM600-9I

4 thoughts on “#16 – Os demônios de Loudun

  1. Izabela

    Excelente eu sempre acho triste e pesado a forma como as mulheres principalmente foram demonizadas. Muito mais que os homens que também possuiam percepções e loucuras..
    Mas com as mulheres eram sempre um tratado a parte. A sexualidade muito presa as concepções de religião. Muito bom

    1. Lívia Torquetti

      Pois é, foi um episódio meio sombrio, mas alguns temas são importantes de discutir né?
      Obrigada sempre pelos comentários 😀

  2. Lilian

    Opa, cheguei atrasada mas tenho umas questões. Gostei muito da discussão mas fiquei curiosa em saber qual foi a interpretação psicanalítica do Certeau? Porque de repente as mulheres se diziam possuídas? Era uma questão de repressão sexual e social e através da possessão elas podiam extravasar?
    E fiquei pensando também sobre a coisa do espetáculo. Acho que numa sociedade majoritariamente iletrada esse tipo de julgamento público tinha um aspecto didático, as punições exemplares são um modo de dizer a todos: “isso é o que acontece se seu comportamento não é ortodoxo, então fiquem atentos”.
    E por último queria saber mais sobre essa coisa do universo linguísticos porque me interessa muito. É verdade que os inquisidores, juízes e exorcistas recorrem a um aparato linguístico standart, mas de onde vem isso? Tipo, tem que achar a marca do demônio, tem que seguir o protocolo de identificação do condenado, mas qual a origem disso, desses símbolos? Folclore?
    No mais, gostei demais!

    1. Lívia Torquetti

      Oi lélia, vamos por partes!
      1) o fenômeno da possessão já se “dava” de certa maneira, a questão em Loudun foi que coletivamente, foi algo inusual, o problema da história com o viés da psicanálise é que limita demais à questão somente da repressão sexual; a proposta de Certeau é pensar além disso, entendo que alguns padres assim como algumas das freiras se criam realmente possuídos, entendendo o desejo sexual ou aquilo que eles estavam sentindo como tentação demoníaca; sem esquecer as condições materiais do convento, elas passavam fome, frio, solidão….alguns aspectos que qndo enquadramos a possessão somente na questão sexual não são contemplados!
      2) sobre a questão do espetáculo, com certeza tinha aspecto didático, o lance é que os exorcismos começaram feitos dentro do convento e depois como a coisa ficou coletiva, passaram a ser públicos, com hora e local marcado, as freiras sendo levadas até o “palco”; gerou renda pra cidade pois viam turistas e viajantes para ver o fenômeno….daí dizer que havia uma consciência sobre o que estava acontecendo já não ser apenas a ação do diabo entende? Estamos no período pós-guerras religiosas e daí uma retomada do prestígio católico com os exorcismos!
      3) quem trabalha muito essa questão da linguagem é o Stuart Clark, muso, em “Pensando com os demônios”…e essa é justamente a minha questão da tese pq esses caras estudavam uma literatura que padronizava essas questões mas, (isso sou eu na minha hipótese) algumas coisas tb vinham da cultura popular…por exemplo voo de demônios (daí o voo para o sabá) está já na Bíblia, é tema religioso….o Ginzburg vai na viagem de uma proto-história né, mas eu fico mais com a coisa da cultura popular e letrada em constante trânsito, pq sempre vamos nomear e demonizar o excluído, o fora da norma….dependendo do período, foram os leprosos, os judeus, as bruxas….e por aí vai…já não sei se respondeu pq acho que viajei legal aqui no final! Mas procure o livro do Clark, acho que o capítulo 4 é só sore linguagem (pesado e denso, mas o mais importante nessa discussão!)

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